Posts de Março, 2009

Ensaio cético sobre a vida humana.

23/03/2009

Tudo está se desgastando, tudo está se corroendo, e, aos poucos, sem ninguém perceber, tudo vai se acabando e logo se acabará.

Nascemos, frutos de outros nascimentos, geração de idéias e opiniões formadas, crescemos com a consciência sã – porque nos disseram que somos assim – vivemos num mundo o qual estamos presos, precisamos nos adaptar à esse modo de vida, conviver com todos que habitam nesse pobre e humilde mundo que tem TANTO a nos oferecer. [As árvores nos oferecem frutos, nunca deixam nos faltar - assim as destruimos exigindo cada vez mais de uma singela "planta"; Os rios, cada vez mais cheios de água, que mesmo que consideremos a "fonte da vida", fazemos questão de destruir; Animais, que nos oferecem companhia, diversão e não nos fazem mal algum - matamos e comemos, exigimos mais e destruimos vidas, acabando com o único mundo que temos].

Tudo é realmente real, se vivemos fora dessa sociedade corrupta e venal, somos atingidos de todas as formas possíveis. Tachados de loucos, sem ao menos saberem o significado da loucura. Há os que vivem criticando os erros, as exibições célebres, o luxo esmagador e opressivo daqueles que utilizam a pobreza como veículo de seu engrandecimento e do seu orgulho desmedido, e sabemos que é isso que faz tornar nosso habitat um lugar terrível e desabitável, sabemos muito bem que são eles, aqueles que se acomodam nas “delícias do mundo” que torturam os fracos, obrigando-os a tentarem ser como tais, manipulando-os e abusando da repressão.

E por fim, morremos sem ao menos viver.                        Gabie R.

  

"A esperança na mais verdadeira forma"

"A esperança na mais verdadeira forma"

2012 acontecerá?

22/03/2009

Um amigo, desses que nos cativa pela conversa inteligente e humorada, chamou minha atenção para o fato de estarem, os “amantes do juízo final”, mais uma vez investindo sobre o futuro e agora garantindo que o mundo vai acabar em dezembro de 2012. Tendo mê e ano e possivelmente, dia e hora nossa humanidade se acabaria vítima de cataclismos explosões nucleares e tudo mais que assusta só de pensar. Eu, que já ouvi essa conversa algumas vezes, me pergunto se essa é mais uma daquelas conversas de fim de mundo que apavora, intimida e termina virando produto comercial de nosso necessário esoterismo.

No início do século XX não faltou quem predissesse o final dos tempos, alguns chegando ao exagero de definir sinais apocalípticos, que demonstrariam e definiriam o fim próximo. Os mais espertos venderam cruzes e rosários, defumadores terríveis e velas, muitas velas, porque como diziam, um terrível negrume invadiria o mundo e ai de quem não acendesse um lume pra fugir de uma morte certa e terrível, só comparável às pragas de Moises sobre o Egito, que quase vitima o faraó e levou os primogênitos à morte certa.

Sei que o leitor já viu ou ouviu em rádio, jornal e televisão algum desses urubus do futuro pregando desesperadamente que o apocalipse está à nossa porta e em breve tudo acabará. Os Maias, povo latino-americano de cultura e inexplicável conhecimento, teriam confirmado definitivamente que em 2012 vamos ser vítimas de algo terrível, que extinguirá nossa raça. Hidrógrafos traduzidos em documentos templários não permitem erro nesse novo prenúncio do caos que assanha a imaginação e dissemina o medo. Não falta a internet que, segundo eles, é a teia de aranha do mundo ligando com seus fios os quatro cantos da terra para afirmar e reafirmar que milhões e milhões desaparecerão como desapareceram os dinossauros e nossos avôs.

O medo sempre agradpu ao homem. Criou deuses, melhorou a vida de muito “esperto”, vendeu produtos, impôs modelos, criou mandatários e subalternos. Reconheço que a coisa não anda boa. Evoluímos o suficiente para não morrermos cedo, aumentamos o contingente, agredimos a natureza, não exercemos em quase tudo qualquer poder de autocrítica. A liberdade de hoje permite a libertinagem e os mecanismos de controle só controlam o que interessa às instituições. Os códigos de controle são usados em benefícios pontuados e, por vezes, negociados. A fé não nos acolhe, a verdade é frágil. Mais uma vez na história da humanidade o medo absoluto ameaça dominar. Nesse momento, os arautos do caos voltam à ativa. Não acredito em maldade nesse discurso do fim. Antes, acredito que seja uma forma de exercício de criatividade que termina gerando seus adeptos; e cai em frente e se torna incontrolável. Não demora, criam a igreja do último dia, da agonia final, do derradeiro suspiro e milhares de crédulos pagarão para ouvir sobre como morrer e ver Deus, como chegar ao paraíso. Isso se não aparecer uma corretora vendendo casa e terreno no céu.

Se o leitor duvida, já aconteceu e davam escritura e tudo e o pior, teve gente que comprou. Comprou e o estado só não cobrou IPTU porque não aprovou ema dessas leizinhas espertas que se resumem no único trabalho dos legisladores. Talvez o mundo acabe em 2012 ou até antes, o ser humano bem que merece a natureza, tão molestada, será a executora. Não esperaremos por guerras e outras ações suicidas do homem. Não seremos destruídos não pelas ideologias ou animosidades sociais e religiosas, seremos exterminados pela impossibilidade de convívio humano.

Se o leitor amigo observar, verá que nossa solidão é tão completa que apavora. Temos medo uns dos outros, pânico, acovardamento diante do futuro, nossas cidades estão super povoadas de gente que querem uma oportunidade seja qual for e dê lucros ao estado e uma desculpa legal para o enriquecimento fácil de maus políticos e péssimos administradores e nossas castas sociais são evidentes. Os pobres serão sempre mais pobres e os ricos mais ricos. O mundo tem medo da humanidade.

Quem prevê o apocalipse nas estrelas, nos búzios e nas profecias pode estar sendo vítima de superstições e medos. Ninguém, nem mesmo os mais competentes como Nostradamus terá o poder de determinar o futuro. Na última hora, as visões espaçadas e abrangentes serão revistas e refeitas se, no entanto, acontecer o pior, estaremos à mercê de uma nova história que se comporá a partir desse dia e, mais uma vez, os amantes de catástrofes falarão de um novo juízo final.

Texto retirado do jornal O Estado do Maranhão, escrito por Jesus Santos. malazartes@oi.com.br